einstein (São Paulo). 30/maio/2019;17(3):eAO4467.

Separação laringotraqueal em pacientes pediátricos: 13 anos de experiência em um serviço de referência

Letícia Alves Antunes ORCID logo , Carolina Talini ORCID logo , Bruna Cecília Neves de Carvalho ORCID logo , Jessica Pareja Guerra ORCID logo , Ewerton dos Santos Aristides ORCID logo , Darken Eugênio de Oliveira ORCID logo , Sylvio Gilberto Andrade Avilla ORCID logo

DOI: 10.31744/einstein_journal/2019AO4467

RESUMO

Objetivo:

Avaliar a estabilidade clínica da criança e do adolescente neuropata com episódios de pneumonia de repetição submetidos a procedimento cirúrgico de separação laringotraqueal.

Métodos:

Entre outubro 2002 a junho 2015, 92 crianças neuropatas de um único serviço com idade mediana de 68,5 meses foram submetidas à separação laringotraqueal. Os dados foram avaliados e foi realizada análise estatística pelo teste t de Student e pelo teste do χ2 de Pearson, com nível de significância adotado de 95%.

Resultados:

Dentre as 92 crianças, 53 eram do sexo masculino (57,6%). Quarenta e seis crianças necessitaram de internação em unidade de terapia intensiva, e 42,4% fizeram uso de ventilação mecânica. Dessas crianças, 90,2% alimentavam-se exclusivamente via gastrostomia, e 72,4% foram realizadas antes da separação laringotraqueal. As complicações pós-operatórias ocorreram em 13 crianças (14,1%), na seguinte ordem: fístula (5,4%), sangramento (4,3%), granuloma (2,2%) e estenose (3,2%). Observaram-se 24 episódios de pneumonia no período pós-operatório (26,1%). Houve diminuição significativa de ocorrência de pneumonias após a cirurgia (100% versus 26,1%, p<0,001). Óbito foi registrado em 23 pacientes (25%). A frequência de complicações pós-operatórias foi semelhante entre os pacientes que evoluíram ou não para óbito (16,7% versus 13,2%; p=0,73).

Conclusão:

A cirurgia bem indicada reduz o número de infecção pulmonar após o procedimento, melhorando a qualidade de vida desses pacientes e, consequentemente, reduzindo o número de internações. A separação laringotraqueal deve ser indicada como procedimento primário nos pacientes com paralisia cerebral e episódios repetidos de pneumonia aspirativa.

Separação laringotraqueal em pacientes pediátricos: 13 anos de experiência em um serviço de referência

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