einstein (São Paulo). 01/jul/2017;15(3):251-5.

O tabagismo altera a repolarização ventricular em adolescentes

Seyma Kayali, Fadime Demir

DOI: 10.1590/S1679-45082017AO3945

RESUMO

Objetivo

Avaliar a associação entre tabagismo e arritmias ventriculares em adolescentes usando novos parâmetros eletrocardiográficos: intervalo Tp-e, e relações Tpe/QT e Tpe/QTc.

Métodos

A população do estudo incluiu 87 indivíduos de 16 a 19 anos de idade. Cinquenta e um adolescentes fumantes, sem risco de arritmia, formaram o Grupo Fumantes, e 36 adolescentes, que nunca tinham fumado cigarros, formaram o Grupo Controle. Os fumantes foram definidos como pacientes que fumavam mais de três cigarros por dia, há pelo menos 1 ano. O índice de massa corporal, e a pressão arterial sistólica, diastólica e média foram medidos, e foram realizados eletrocardiogramas em todos os participantes. Frequência cardíaca, intervalos PR e Tp-e, e as relações Tpe/QT e Tpe/QTc foram medidas por instrumentos digitais.

Resultados

Os adolescentes do Grupo Fumante fumavam há 2,9±1,4 anos (variação 1 a 6 anos). A média de idade ao começar a fumar foi 13,8±1,4 anos. Não houve diferença nas variáveis clínicas iniciais entre os Grupos Fumante e controle (p>0,05). Os intervalos PR, QT e QTc foram semelhantes em todos os grupos. O intervalo Tp-e (98,4±12,7ms e 78,3±6,9ms; p<0,001), e as relações Tpe/QT (0,28±0,04 e 22±0,03; p<0,01) e Tpe/QTc (0,24±0,03 e 0,19±0,01; p<0,001) foram significativamente maiores no Grupo Fumantes. Não houve correlação entre anos de tabagismo, número de cigarros por dia, intervalo Tpe e relações Tpe/QT e Tpe/QTc.

Conclusão

O hábito de fumar está associado ao risco de arritmogênese ventricular, com interval Tp-e prolongado e aumento nas relações Tpe/QT e Tpe/QTc em adolescentes.

O tabagismo altera a repolarização ventricular em adolescentes

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