einstein (São Paulo). 04/jul/2018;16(2):eRC4011.

Atrofia muscular bulboespinhal ligada ao cromossomo X (doença de Kennedy): o primeiro caso descrito na Amazônia brasileira

Camila Nascimento Alves, Tiago Kiyoshi Kitabayashi Braga, Danusa Neves Somensi, Bruno Sérgio Vilhena do Nascimento, José Antônio Santos de Lima, Satomi Fujihara

DOI: 10.1590/S1679-45082018RC4011

RESUMO

A atrofia muscular bulboespinhal ligada ao cromossomo X (doença de Kennedy) é uma rara doença de neurônio motor inferior, recessiva, ligada ao X, e caracterizada por fraqueza, atrofia e fasciculações da musculatura apendicular e bulbar. É causada por uma expansão da repetição CAG no gene do receptor de androgênio. Pacientes com doença de Kennedy apresentam mais de 39 repetições CAG. O paciente deste relato era do sexo masculino, 57 anos, morador de Monte Dourado (PA, Brasil), com queixa de paresia braquiocrural há 3 anos, acompanhada de fasciculações e tremores de extremidades. Em seguida, ele desenvolveu disartria, disfagia e disfunção sexual. Também apresentava comprometimento da marcha, hiporreflexia global, atrofia muscular proximal dos membros superiores, desvio da úvula para direita à fonação e atrofia de língua com fasciculações. Foi realizada cirurgia para tratamento de ginecomastia há 30 anos. A eletroneuromiografia sugeriu quadro de atrofia muscular espinhal. Imagens de ressonância magnética demonstraram afilamento da medula espinhal cervical e torácica. A creatina quinase estava elevada. Diante dos achados, solicitou-se investigação para doença de Kennedy, e foram identificadas 46 repetições CAG no gene do receptor de androgênio, o que confirmou a suspeita diagnóstica. Este foi o primeiro caso de doença de Kennedy diagnosticado e descrito na Amazônia brasileira. Existem, além deste relato, apenas outros quatro trabalhos publicados sobre a doença em pacientes do Brasil. Também realizamos breve revisão de aspectos etiopatogênicos, clínicos e diagnósticos.

Atrofia muscular bulboespinhal ligada ao cromossomo X (doença de Kennedy): o primeiro caso descrito na Amazônia brasileira

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