einstein (São Paulo). 01/mar/2010;8(1):75-9.

Unidade de radiologia intervencionista móvel: inovação e responsabilidade social

Nestor Hugo Kisilevzky, Henrique Elkis, Francielle Aparecida Gusmao

DOI: 10.1590/s1679-45082010ao1468

RESUMO
Objetivo:
Apresentar os resultados preliminares de um estudo de viabilidade conduzido para determinar o valor de uma unidade de radiologia intervencionista móvel com o objetivo de promover um programa de embolização uterina em mulheres de baixa renda.
Métodos:
Quarenta pacientes portadoras de miomatose sintomática foram tratadas com embolização uterina. Os procedimentos foram realizados em quatro hospitais públicos localizados na área metropolitana de São Paulo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição e todos os pacientes assinaram um termo de consentimento informado. Uma unidade de radiologia intervencionista móvel denominada ANGIOMÓVEL foi concebida e implementada utilizando um caminhão baú para transportar um arco cirúrgico, uma mesa radiológica, aventais de chumbo e um pequeno carro contendo os insumos específicos para os procedimentos. A equipe do ANGIOMÓVEL consistiu de dois radiologistas intervencionistas, uma enfermeira, um motorista e um assistente. A unidade visitou um hospital por semana durante três meses. A inclusão de pacientes dependeu de vários fatores como avaliação por um ginecologista treinado, realização de um exame de ressonância magnética da pelve, exames laboratoriais de rotina e resposta a um questionário para avaliação da qualidade de vida (QV). Evolução clínica, ressonância magnética e QV foram avaliadas. A informação obtida após 12 semanas foi colhida e analisada.
Resultados:
Verificou-se 100% de sucesso técnico para realização da embolização. O tempo médio de procedimento foi de 43 minutos com tempo médio de fluoroscopia de 24 minutos. O tempo médio de internação foi de 1,07 dias e a retomada das atividades ocorreu numa média de 10 dias. Após 12 semanas, 36 pacientes (90%) referiram estar clinicamente melhor e 4 (10%) não tiveram melhora. Trinta e oito pacientes (95%) manifestaram estar satisfeitas ou muito satisfeitas, e 39 (97,5%) recomendariam o tratamento. Na análise das ressonâncias magnéticas pré o pós-operatórias, verificou-se uma redução de volume uterino de 38% e redução de volume no mioma dominante de 52%. Verificou-se ainda que a necrose isquêmica completa dos miomas foi causada em 92,5%. A análise dos questionários de vida demonstrou uma melhora significativa passando de um escore de 39,30 pontos antes do tratamento para 79,62 pontos após o tratamento.
Conclusões:
Os resultados preliminares indicam que a utilização de uma Unidade de Radiologia Intervencionista Móvel é viável, eficiente e segura para promover um programa de embolização uterina em pacientes que dependem exclusivamente do atendimento em hospitais da rede pública.

Unidade de radiologia intervencionista móvel: inovação e responsabilidade social

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