einstein (São Paulo). 21/nov/2018;16(4):eED4811.

Que futuro tem o Sistema Único de Saúde brasileiro?

Jacyr Pasternak ORCID logo

DOI: 10.31744/einstein_journal/2018ED4811

Somos o país de maior população no planeta, que tem um serviço de atendimento compreensivo à saúde, sem pagamento na ponta do sistema.() Este foi claramente inspirado no modelo inglês do National Health Service e tem aspectos que funcionam muito bem: nosso programa de vacinação é de excelência, com disponibilização de mais vacinas que o que é oferecido em países mais ricos,() assim como nosso sistema de atendimento a pessoas infectadas pelo HIV. Entretanto, o Sistema Único de Saúde (SUS) sofre de uma falta de financiamento crônica() e da falta de coordenação entre os vários entes da República que se responsabilizam por sua gestão. O sistema é extremamente fragmentado, e a gestão é frequentemente entregue as pessoas que lá estão por compromissos políticos, e não por mérito. A coordenação entre os vários níveis de gestores é falha, e o investimento no sistema tem caído constantemente. O Brasil não investe pouco em saúde (9% do seu Produto Interno Bruto, aproximadamente), sendo que 47% dos gastos são de recursos públicos e o restante (53%) é da área privada. Países que têm estruturas semelhantes à do SUS, como o Reino Unido (que investe 83,2% no sistema de saúde pública), o Canadá (71,1%), a Itália (77,6%) e a Holanda (84,8), mostram como é pequena nossa parcela de gasto em saúde pública, comparavél ao gasto dos Estados Unidos, que investem 48,5% dos recursos disponíveis em sistemas públicos de saúde, como o Medicare.()

Um aspecto peculiar do SUS é o uso preferencial dos seus recursos por pessoas que estão longe da base econômica brasileira. Remédios caros ou não disponíveis no país são regularmente fornecidos as pessoas com conhecimentos e expertise para saber como solicitá-los indo até o judiciário, enquanto pessoas de menor poder econômico simplesmente se perdem nos desvãos do sistema. Como dizia um de nossos professores, que foi Ministro da Saúde, o Dr. Adib Jatene, “o problema do pobre não é só ser pobre, é não conhecer ninguém com influência”. Igualmente, pessoas mais instruídas e com melhores redes relacionais sabem onde os recursos estão mais disponíveis e onde os médicos mais bem formados se situam.

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Que futuro tem o Sistema Único de Saúde brasileiro?

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