einstein (São Paulo). 01/out/2010;8(4 Pt 1):437-43.

Correlação entre o estudo urodinâmico, a anamnese e os achados clínicos na abordagem de mulheres com incontinência urinária

João Bosco Ramos Borges, Telma Guarisi, Ana Carolina Marchesini de Camargo, Pítia Cárita de Godoy Borges

DOI: 10.1590/S1679-45082010AO1611

RESUMO

Objetivo:

O objetivo do presente estudo foi avaliar o papel do estudo urodinâmico no diagnóstico da incontinência urinária, comparando-se os dados de anamnese e exame físico detalhados, somados a alguns testes clínicos de fácil aplicação.

Métodos:

Foi realizado estudo retrospectivo de corte transversal, por meio da revisão de prontuário de 55 pacientes com queixa de perda urinária atendidas no Serviço de Uroginecologia do Ambulatório da Saúde da Mulher do Hospital Universitário de Jundiaí, no período de outubro de 2006 a março de 2007. Essas pacientes, durante sua consulta, responderam a um questionário específico, que contempla as variáveis epidemiológicas e de exame físico consideradas no estudo, tendo sido submetidas a exame físico e ao estudo urodinâmico.

Resultados:

A queixa de perda de urina aos esforços, isolada ou associada a urge-incontinência, foi confirmada pelo estudo urodinâmico na grande maioria das mulheres, sendo que o exame mostrou-se negativo em apenas 4 de 49 mulheres com queixa. O sinal clínico estava presente em 35 pacientes (63,6%), sendo que 46 (83,6%) apresentavam o componente de esforço no estudo urodinâmico. Entre as 15 com o sinal ausente (30%), o componente de esforço foi observado em 10 (18%). Os valores preditivos positivo e negativo do sinal clínico para o diagnóstico de algum tipo de incontinência urinária nesse grupo estudado foram de 97,1 e 26,7%, respectivamente. Em relação à queixa clínica de perda de urina aos esforços, os valores preditivos positivo e negativo para algum tipo de incontinência urinária foram de 92 e 40%, respectivamente. Quanto á queixa clínica de urge-incontinência, observaram-se valores preditivos positivo e negativo de 92,5 e 23,1%, respectivamente.

Conclusões:

Concluiu-se que a avaliação urodinâmica representa importante instrumento para avaliar o grau da incontinência, porém não se mostrou necessária para o diagnóstico da perda urinária. O achado de perda durante o exame físico tem baixa sensibilidade e especificidade no diagnóstico do tipo de perda urinária. A urodinâmica teve melhor desempenho em demonstrar a incontinência urinária em pacientes com queixa de incontinência urinária aos esforços, porém sem perda de urina visualizada no exame físico, em relação á confirmaçào da urge-incontinência em pacientes com tais sintomas.

Correlação entre o estudo urodinâmico, a anamnese e os achados clínicos na abordagem de mulheres com incontinência urinária

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