einstein (São Paulo). 02/maio/2019;17(2):eED4982.

Inteligência artificial: parceira ou inimiga do médico?

Luís Velez Lapão ORCID logo

DOI: 10.31744/einstein_journal/2019ED4982

Os sistemas de saúde precisam ser fortalecidos para enfrentar os novos desafios. A evolução demográfica deve aumentar a demanda por mais serviços. As comorbidades resultantes tornam o sistema mais caro. As novas tecnologias podem contribuir positivamente para atenuar estes problemas. A revolução digital está transformando a sociedade, mas, na saúde, essa transformação está atrasada. Há uma desproporção entre o lançamento de serviços inovadores e seu impacto econômico. Entre os especialistas, duas ideias dominam essa área, cada uma se opondo à outra. De um lado, o quadro cético sobre o retorno da saúde digital e a necessidade de reorganizar a saúde, devido ao baixo crescimento econômico e à crescente demanda por serviços. Outros, no entanto, estão mais convencidos da promessa de inovação em saúde, acreditando que os ganhos econômicos do digital ainda estão por vir. As tecnologias digitais já produzem um crescimento enorme de informações de saúde. Evidências emergentes mostram já alguns efeitos benéficos dos serviços digitais, embora muitos desafios permaneçam ligados à implementação no contexto da saúde.(,)

A tecnologia é um fator crucial, mas somente quando bem alinhada ao processo de assistência. A inteligência artificial (IA), tal como o Big Data e a Internet-das-Coisas, é muito relevante, mas precisamos de ter evidência ou mesmo certeza de sua utilidade. A utilização massiva de dados combinado com IA pode, talvez dentro de 5 a 10 anos, permitir melhor compreensão da dinâmica dos sistemas de saúde (por exemplo: comportamento do usuário, da utilização de serviços, das epidemias etc.) permitindo melhor uso dos recursos e mais criação de conhecimento. A IBM, o Google e outros investem enormes quantias de dinheiro na IA, mas, até agora, os sistemas ainda não estão prontos para serem utilizados em larga escala na saúde.()

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Inteligência artificial: parceira ou inimiga do médico?

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