Tatus como vetores da hanseníase

A transmissão zoonótica de Mycobacterium leprae de tatus para humanos foi descrita nos Estados do sul dos Estados Unidos, principalmente no Texas, na Luisiana e na Flórida. Tatus são consumidos em vários locais do Brasil, sendo servido inclusive um tipo de ceviche feito com fígado de tatu cru. Neste estudo, os pesquisadores constataram material nucleico de M. leprae por PCR em 10 de 16 tatus capturados, além da presença de um anticorpo contra um antígeno específico de M. leprae, um glicolipídeo fenólico, em 92 de 146 habitantes em duas pequenas vilas, São Jorge e Corpus Cristi, em Belterra, no Estado do Pará, incluindo três casos já conhecidos de hanseníase e mais quatro que foram diagnosticados pelos pesquisadores durante este estudo. Os pesquisadores consideram que tatu bem cozido provavelmente não é vetor do M. leprae, já que as bactérias seriam mortas pelo calor, mas o consumo deste peculiar ceviche amazônico localmente tem potencial de risco de transmissão. Observação dos editores: capturar, caçar ou comer tatus são crimes ecológico no Brasil.

da Silva MB, Portela JM, Li W, Jackson M, Gonzalez-Juarrero M, Hidalgo AS, et al. Evidence of zoonotic leprosy in Pará, Brazilian Amazon, and risks associated with human contact or consumption of armadillos. Plos Neg Trop Dis. 2018;12(6):e-0006532. https://doi.org/10.1271/journal.pntd.0006532

 

Tatus como vetores da hanseníase

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