O aumento do trabalho em documentação e a destruição da medicina moderna

A relação médico-paciente tem sido o fundamento da Medicina desde os tempos de Hipócrates, senão antes. Investir tempo na realção médico-paciente garante confiança durante momentos delicados para o paciente. O uso quase universal do prontuário eletrônico mudou a comunicação, que era médico e paciente, para, na grande maioria, comunicação médico e prontuário eletrônico. Um estudo recente conduzido nos Estados Unidos mostrou que os médicos passam 24% do seu tempo conversando com pacientes e 44% do tempo em frente ao computador. Os pacientes se sentem desprezados e os médicos frustrados. O número cada vez maior de médicos com “burnout” tem algum fundamento nesse fato. Isto é, médicos deveriam estar praticando medicina e não trabalhando como gerenciadores de dados, ou pior ainda, responsáveis por alimentar sistemas de cobrança.

O prontuário eletrônico tem seus méritos, e eles não são poucos, tais como: redução de erros de medicação e obtenção de dados de pacientes de forma facilitada. Não há dúvida que o prontuário eletrônico veio para ficar. Alguns médicos adotaram uma solução: a contratação de “escribas médicos” para auxilia-los durante a consulta, esses profissionais escrevem e lidam com inclusão de dados no computador enquanto os médicos podem olhar no olho do paciente durante a comunicação. Outras soluções podem ser possíveis, tais como simplificar a entrada de dados e deixar tempo suficiente na consulta para que os médicos façam o que eles estudaram para fazer, a prática da medicina. Um consenso é: alguma coisa precisa mudar, e logo.

Kahn MS, Riaz H. The rise of documentation and the destruction of modern Medicine. Am J Med. 2019;132(4):407. https://doi.org/ 10.1016/j.amjmed.2018.10.030.

 

O aumento do trabalho em documentação e a destruição da medicina moderna

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