Infecção aguda e infarto do miocárdio

O risco de infarto do miocárdio após infecção é conhecido e da ordem de 7 a 8% dos pacientes internados com pneumonia pneumocócica. O risco de infarto é maior logo no início do quadro infeccioso franco, proporcional à gravidade da pneumonia, e persiste nestes níveis por pelo menos 5 semanas. Esse risco cai lentamente após este período, mas persiste até por anos. A explicação deste fato é complexa. Alguns casos poderiam ser por infarto tipo 2, nos quais há aterosclerose e placas nas artérias coronarianas, mas não ocorre obstrução aguda: a demanda metabólica das células cardíacas excede a capacidade do sangue de fornecer oxigênio. No entanto, ocorrem também infartos do tipo 1 e obstrução coronária relacionada com alterações da placa e trombose. A infecção leva a um estado pró-coagulante e à atividade inflamatória nas placas ateromatosas. Também ocorrem lesões em miócitos cardíacos com vacuolização ou necrose: isto também ocorre em choque séptico e nas tempestades de citocinas a ele ligadas. A relação entre infarto miocárdico e infecção também acontece com influenza e outras viroses respiratórias.

A vacina da influenza diminui o risco de eventos cardiovasculares em 36%, comparando pessoas vacinadas e não vacinadas da mesma idade. A vacina antipneumocócica também mostra proteção contra o risco de infarto do miocárdio.

 

Musher DM, Abers MS, Corrales-Medina VF. Acute infection and myocardial infarction. N Engl J Med. 2019;380(2):171-6. doi: 10.1056/NEJMra1808137.

Infecção aguda e infarto do miocárdio

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