É possível trocar o tratamento antibiótico endovenoso por oral, mesmo em endocardites e infecções ósseas ou de articulações

Iversen e seu grupo, na Dinamarca, estudaram 400 pacientes com endocardite do lado esquerdo, comparando a evolução em dois grupos após randomização, sendo um que fez o habitual tratamento com antibióticos endovenosos por prazo longo e outro que, após 10 dias de antibióticos por via endovenosa, passou a antibióticos orais.(1) Não houve inferioridade e, curiosamente, os efeitos colaterais dos antibióticos ocorreram na mesma proporção nos dois grupos.

Ho-Kwong e seu grupo fizeram um estudo maior, usando 1.554 pacientes randomizados em dois grupos, sendo um tomando antibióticos endovenosos por prazo habitual e outro que, após 7 dias, passaram para antibióticos orais.(2) Como no outro estudo, não houve inferioridade desta conduta nos resultados terapêuticos.

Há uma tendência clara no uso de antibióticos por menores prazos em várias condições, além de menos uso de antibióticos endovenosos mesmo em patologias que têm evidencias claras de necessidade de tratamento mais longo. As consequências de menores tempo de hospitalização e custo podem ser extremamente úteis para todos – sistemas de atendimento e pacientes.

1.Iversen K, Ihleman N, Gill SU, Madsen T, Elming H, Jensen KT, et al.

Partial oral versus intravenous antibiotic treatment of endocarditis.

N Engl J Med. 2019;380(5):415-24. https://doi.org/10.1056/NEJMoa1808312.

 

2.Li HK, Rombach I, Zambellas R, Walker S, McNally MA, Atkins BL, et al.

Oral versus intravenous antibiotics for bone and joint infection.

N Engl J Med. 2019;380(5):425-36. https://doi.org/10.1056/NEJMoa171092.

É possível trocar o tratamento antibiótico endovenoso por oral, mesmo em endocardites e infecções ósseas ou de articulações

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