{"id":4211,"date":"2019-03-15T07:36:02","date_gmt":"2019-03-15T10:36:02","guid":{"rendered":"https:\/\/journal.einstein.br\/?p=4211"},"modified":"2019-03-15T07:36:02","modified_gmt":"2019-03-15T10:36:02","slug":"precisamos-desenvolver-novos-antibioticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/journal.einstein.br\/pt-br\/nao-categorizado\/precisamos-desenvolver-novos-antibioticos\/","title":{"rendered":"Precisamos desenvolver novos antibi\u00f3ticos"},"content":{"rendered":"<p>Cada vez mais temos bact\u00e9rias multirresistentes, o que torna insuficiente nosso armament\u00e1rio antibacteriano. Algumas infec\u00e7\u00f5es s\u00e3o causadas por germes que respondem a apenas um antibi\u00f3tico \u2212 ou a nenhum. Novos antibi\u00f3ticos s\u00e3o uma necessidade, mas n\u00e3o s\u00e3o drogas lucrativas: usamos antibi\u00f3ticos, no m\u00e1ximo, por 2 semanas, com raras exce\u00e7\u00f5es, e cada vez tendemos a us\u00e1-los por menos tempo. As comiss\u00f5es de controle da infec\u00e7\u00e3o hospitalar querem exatamente o que seu t\u00edtulo diz: controlar o uso de novos antibi\u00f3ticos para dilatar o prazo no qual inevitavelmente aparecer\u00e1 resist\u00eancia. O mercado de novos antibi\u00f3ticos \u00e9 restrito: compare com drogas como estatinas, anti-hipertensivos, medica\u00e7\u00f5es para dor cr\u00f4nica e anti\u00e1cidos, que s\u00e3o usados por longos per\u00edodos de tempo sem qualquer restri\u00e7\u00e3o (deveria haver alguma, mas essa \u00e9 outra hist\u00f3ria). A\u00ed que est\u00e1 o lucro.<\/p>\n<p>O desenvolvimento de novos antibi\u00f3ticos em sua fase final exige estudos comparando as novas drogas com as velhas, e elas dever\u00e3o pelo menos ser \u201cn\u00e3o inferiores\u201d para que sejam autorizadas pela <em>Food and Drug Administration<\/em> (FDA). Recrutar n\u00famero suficiente de pacientes com a infec\u00e7\u00e3o bacteriana por aquele germe n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e \u00e9 mais dif\u00edcil ainda quando \u00e9 preciso recrutar doentes com infec\u00e7\u00e3o por bact\u00e9rias resistentes. S\u00e3o publicados trabalhos com poucos pacientes, e estudos com poucos pacientes e vi\u00e9s de recrutamento podem levar a trabalhos com menor relev\u00e2ncia cient\u00edfica. Estudos s\u00f3 <em>in vitro<\/em> n\u00e3o resolvem. Alguns exemplos: daptomicina n\u00e3o \u00e9 uma boa droga para infec\u00e7\u00f5es pulmonares, e isto foi descoberto depois que ela foi licenciada; posteriormente, percebeu-se que ela gruda no surfactante pulmonar. Doripenem funcionou bem para infec\u00e7\u00f5es intra-abdominais, mas n\u00e3o para infec\u00e7\u00e3o pulmonar associada \u00e0 ventila\u00e7\u00e3o assistida. Dafloxacin em dose \u00fanica funcionou para infec\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas, mas falhou v\u00e1rias vezes em gonorreia. Existem outros exemplos.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o\u00a0 seria fazer novos antibi\u00f3ticos economicamente interessantes para <em>Big Pharma<\/em>, mas pre\u00e7os muito altos os tornam invi\u00e1veis para uso cl\u00ednico e, por mais caros que sejam, nunca ser\u00e3o compar\u00e1veis aos pre\u00e7os dos anticorpos monoclonais que existem por a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>Cox E, Nambiar S. Baden L. <a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/pdf\/10.1056\/NEJMe1901525\">Needed: antimicrobial development<\/a>. N Engl J Med. 2018;380(8): 783-85. http:\/\/doi.org\/ 10.1056\/NEJMe1901525.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez mais temos bact\u00e9rias multirresistentes, o que torna insuficiente nosso armament\u00e1rio antibacteriano. Algumas infec\u00e7\u00f5es s\u00e3o causadas por germes que respondem a apenas um antibi\u00f3tico \u2212 ou a nenhum. 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